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Da epopeia nacional finlandesa Kalevala já existem traduções
em 52 línguas, o que deixa o português como a única língua,
entre as mais faladas no mundo, a não ter ainda a respectiva tradução. O projecto de traduzir a obra para a língua portuguesa começou há alguns anos atrás. Na sequência das conversações
e dos preparativos iniciais, o projecto foi oficializado durante a visita do Presidente Jorge Sampaio à Finlândia em Outubro de 2002. A tradução conta com a participação do Centro de Divulgação da Literatura
Finlandesa, do Instituto Ibero-Americano da Finlândia e da Embaixada da Finlândia
em Lisboa. Traduzir o Kalevala para português serviu também como inspiração para avançar com o projecto de tradução
d'Os Lusíadas para a língua finlandesa, uma iniciativa que foi bem recebida pelo Instituto Camões. A tradução das epopeias nacionais portuguesa e finlandesa foi considerada como uma parte significativa do
intercâmbio cultural entre os dois países durante os próximos anos.
Para além dos apoios, outra questão de ordem prática foi a de encontrar os profissionais de tradução aptos para concretizarem tal tarefa. No
Departamento de Letras da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve trabalha uma professora finlandesa,
Merja de Mattos-Parreira e dois colegas seus, Ana Isabel Soares e
José Joaquim Dias Marques, a quem foi entregue a tarefa de traduzir a epopeia. Este grupo de trabalho já anteriormente colaborou em traduções da literatura finlandesa para português, de autores como Rosa Liksom, poetas contemporâneos tal como Pentti Holappa, entre outros.
Na Primavera de 2003, a convite do Centro de Divulgação da Literatura Finlandesa, a equipa de tradução deslocou-se à região da Karelia, de onde Elias Lönnrot recolheu o material para compilar a epopeia nacional finlandesa. Lönnrot tinha já tido um papel central na tese de Doutoramento de José Joaquim Dias Marques sobre a tradição oral e poesia popular. Durante a viagem, a equipa contactou com aquele que é o último cantor vivo, na Carélia finlandesa, dos poemas que serviram de base à epopeia. Na cidade de Kuhmo visitaram o Centro de Pesquisa Juminkeko, cujo principal objectivo é o estudo e a divulgação da tradição oral finlandesa. Além disso, puderam tomar contacto com as diversas edições e traduções da obra, depositadas na Biblioteca da Universidade de Helsínquia, assim como trocar impressões com tradutores e especialistas da Kalevala.
A tradução começou concretamente no Verão de 2003, quando os deveres profissionais de cada um dos tradutores lhes permitiram uma maior dedicação ao trabalho de traduzir a epopeia. O projecto vai ser certamente moroso, e chegará a ser por vezes exaustivo, dado que a linguagem não é sempre de fácil compreensão e a língua original se distanciar frequentemente do finlandês contemporâneo. O Centro de Divulgação da Literatura Finlandesa, consciente do grau de dificuldade e exigência da obra, ofereceu à equipa de trabalho os melhores dicionários etimológicos, glossários do Kalevala, assim como vasta crítica literária.
A obra ainda se encontra por acabar. A equipa de tradução já encontrou a casa editora que publicará a tradução,
faltando ainda a conclusão das ilustrações a incluir na publicação.
(Texto traduzido a partir de entrevista de Merja de Mattos-Parreira, Novembro 2003.)
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