Directo ao conteúdo
Ministério dos Negócios Estrangeiros da Finlândia

Embaixada da Finlândia, Lisboa: Info Finlândia: Hábitos e Costumes

EMBAIXADA DA FINLÂNDIA, Lisboa

Rua do Possolo 76-1°
1350-251 Lisboa, Portugal
Tel +351 21 393 30 40, Fax:+351 21 390 47 58
E-mail sanomat.lis@formin.fi
Português | Suomi | Svenska | facebook
Tamanho de letra_normalTamanho de letra_maior
 

Guia de Hábitos e Costumes Finlandeses

Adaptação do texto referente ao artigo escrito para Virtual Finland (actual thisisFINLAND), pelo Doutor Olli Alho, Director de Programas da Companhia Finlandesa de Rádio e Televisão, em 25 de Novembro de 2002. Tradução de: Pekka Posio e da Embaixada da Finlândia. Actualizado em 2009.

NokiaA Finlândia é um país fácil de visitar. Os costumes finlandeses são claramente europeus, contendo apenas algumas variações nacionais, e as mentalidades são bastante liberais. Existem poucas possibilidades de cometer erros sociais fundamentais ou desacertos na etiqueta que pudessem prejudicar, de forma imperdoável, as relações entre o visitante e os seus anfitriões. Tais desacertos são vistos com equanimidade pelos finlandeses, se forem cometidos pelos seus compatriotas, e com compreensão ou prazer, se forem cometidos por estrangeiros. As normas da etiqueta são bastante descontraídas, e as pessoas são avaliadas com mais incidência nas suas acções individuais, do que considerando apenas a forma como se comportam em relação às normas e padrões de comportamento existentes. Na Finlândia, é difícil criar ou destruir a reputação pessoal numa só ocasião.

Regra geral, a Finlândia é um país onde as palavras ditas têm uma importância considerável – são escolhidas com cuidado e sempre com intenção de transmitir uma mensagem. De facto, para além disto existem poucas características específicas à cultura finlandesa, que os visitantes tenham de tomar em consideração. Os finlandeses apreciam muito as palavras faladas, o que se demonstra na tendência de dizer pouco e evitar as cavaqueiras “inúteis”. Como diz o provérbio chinês, “as tuas palavras hão-de ser melhores do que o silêncio; se não o forem, cala-te”.

A Identidade

Os finlandeses têm um sentido de identidade nacional bastante forte. Esta identidade tem as suas raízes na história do país – em especial nas façanhas realizadas durante as guerras e nos feitos heróicos no âmbito do desporto – e é hoje em dia estimulada pelo orgulho no sucesso das companhias de high-tech (tecnologia de ponta) finlandesas. Embora os finlandeses nem sempre sejam muito bem versados na história de outros países, podem ficar desapontados se o visitante não estiver familiarizado com os pontos culminantes da história finlandesa ou as carreiras desportivas de Paavo Nurmi e Lasse Virén. Os visitantes fariam bem em conhecer um pouco dos condutores de rali e as estrelas da Fórmula 1 finlandesas, e seria recomendável também, saber que os jogadores de futebol Jari Litmanen e Sami Hyypiä são finlandeses. Os finlandeses de orientação cultural supõem que os visitantes que partilham os seus interesses estão familiarizados, não só com Sibelius, mas também com os compositores contemporâneos como Kaija Saariaho e Magnus Lindberg, e os condutores de orquestra Esa-Pekka Salonen, Jukka-Pekka Saraste e Sakari Oramo. Os finlandeses estão conscientes do facto de que a Nokia é muitas vezes considerada, erroneamente, como uma empresa japonesa; esta concepção errónea é perdoada, mas com grande pena.

Os visitantes hão-de ser preparados para encontrar, também, a outra face da identidade nacional finlandesa: os finlandeses sofrem de uma incerteza crónica quanto aos conhecimentos do resto do mundo sobre as façanhas desta nação nórdica. Os finlandeses adoram ler artigos escritos sobre eles na imprensa estrangeira, e os visitantes não têm de se sentir incomodados pelo facto dos finlandeses lhes perguntarem, repetidamente, o que é que eles acham da Finlândia. No entanto, se bem que os finlandeses estejam sempre dispostos a criticar o seu próprio país, nem sempre gostam que os estrangeiros façam o mesmo.

A Religião

No que diz respeito à religião, os visitantes correm poucos perigos, mesmo quanto aos assuntos que outras culturas podem considerar como particularmente delicados. A maioria dos finlandeses são membros da Igreja Evangélica Luterana (aproximadamente 84%), enquanto que 1,1 % são membros da Igreja Ortodoxa. A maioria dos finlandeses são relativamente profanos quanto à sua maneira de pensar, e a religião não desempenha um papel importante na vida quotidiana. Mesmo assim, a Igreja e os seus pastores são muito apreciados, e os valores pessoais são respeitados. É difícil observar diferenças entre os laicos e os crentes na vida do dia-a-dia, a não ser talvez, que estes levem uma vida mais moderada do que os outros. Os finlandeses não estão muito bem familiarizados com outras religiões, e os visitantes deveriam saber que nem os costumes e requisitos mais comuns de outras religiões são necessariamente compreendidos.

A Igualdade dos Sexos

O nível de igualdade entre homens e mulheres é muito avançado na Finlândia, o que se reflecte no número relativamente elevado de mulheres a ocupar postos importantes na política e noutras áreas da sociedade finlandesa. Ao escrever este texto, a Presidente da República é a Sra. Tarja Halonen, antiga Ministra dos Assuntos Exteriores.

TangoHá muitas mulheres que ocupam cargos académicos, e durante os últimos anos os homens de negócios têm encontrado um número cada vez maior de mulheres, do outro lado da mesa de reuniões. As atitudes chauvinistas ou paternalistas para com as mulheres são geralmente consideradas como inaceitáveis, se bem que, na realidade, persistam. As mulheres apreciam a cortesia tradicional, mas hoje em dia consideram que a atitude dos homens, em relação à igualdade dos sexos é ainda mais importante. As mulheres são, em geral, economicamente independentes.

A Finlândia trabalha de uma forma activa nas organizações internacionais, para melhorar a igualdade das mulheres nas sociedades pelo mundo fora.

A Conversação

A imagem dos finlandeses, como pessoas acanhadas e taciturnas, é já antiquada e não se aplica às novas gerações. No entanto, é verdade que os finlandeses têm uma atitude especial, em relação às palavras e à linguagem; o que é dito é tomado a sério, e as promessas são cumpridas. “Ao boi pelo corno, ao homem pela palavra”, diz o provérbio finlandês. Os finlandeses escolhem as suas palavras com cautela, e esperam que os outros façam o mesmo. Consideram as promessas verbais como comprometedoras, não só para si, mas também para os outros, onde e quando quer que sejam formuladas. Os visitantes têm de ter em conta que os convites ou desejos expressos num tom coloquial e leve (por exemplo, “Que tal se fôssemos almoçar juntos algum dia?”) são geralmente levados a sério, e esquecê-los pode causar problemas. Os finlandeses não são fortes no “small talk” – considerado como suspeito pela definição – nem esta capacidade é muito apreciada.

Os finlandeses não entram facilmente em conversas com desconhecidos, a não ser que tenham alguma razão especialmente forte. Como os estrangeiros podem observar, os finlandeses são curiosamente calados no metro, no autocarro ou no eléctrico. Nos elevadores, sofrem do mesmo género de embaraço mudo que qualquer pessoa no mundo. No entanto, um turista a olhar o mapa numa esquina de rua não tem dificuldades em encontrar ajuda, pois a hospitalidade dos finlandeses até supera as suas restrições habituais.

Os finlandeses sabem melhor ouvir do que falar, e interromper a pessoa que está a falar é considerada como uma falta de educação. O silêncio é visto como uma parte da comunicação, e os finlandeses não se importam se houverem pausas na conversa. Fala-se sem pressa, mesmo na língua materna (muitos estrangeiros riem-se do ritmo, no qual são lidas as notícias na televisão), e embora muitos finlandeses sejam competentes em várias línguas estrangeiras, podem achar o ritmo da língua falada um pouco cansativo. Apesar disso, os finlandeses podem tornar-se agitados e verbosos em certas situações. O efeito da sauna admira muitos estrangeiros: neste contexto familiar, os finlandeses podem de repente tornar-se embaraçosamente abertos e sinceros.

Os Telemóveis

A utilização cada vez maior de telemóveis está a revolucionar a imagem das capacidades comunicativas dos finlandeses. Os toques de telemóveis, omnipresentes e humorísticos de maneira ostensiva, demonstram o desejo de falar, especialmente se não se estiver cara a cara com a outra pessoa. Um jornalista estrangeiro descreveu um cenário tipicamente finlandês: um homem sozinho num bar, a beber cerveja e a falar no seu telemóvel. Uma versão finlandesa do “small talk”, talvez? Comunicação sem intimidade?
O surgimento dos telemóveis tem criado uma etiqueta, vagamente definida, da utilização dos telemóveis em situações nas quais poderiam incomodar os outros ou até mesmo serem perigosos. Não é permitida a utilização de telemóveis nos hospitais, nem nos aviões, é considerado como inapropriado durante as reuniões, e realmente ordinário em concertos, teatro ou na igreja.

Sem dúvidas, o aparecimento dos telemóveis mudou a imagem que os visitantes faziam da Finlândia. Considerando que, há só algumas décadas, os visitantes encontraram uma tribo no árctico, reservada e introvertida, hoje em dia é mais comum considerar os finlandeses como pessoas hipercomunicativas, que estão já a viver o futuro que uns receiam e outros desejam: uma sociedade onde é possível, em cada instante, entrar em contacto com qualquer pessoa, esteja ela onde estiver.

As Línguas

A língua materna de um finlandês é o finlandês ou o sueco (5,6% da população são falantes nativos desta língua), ou a língua Sami, (com aproximadamente 7000 falantes nativos). O finlandês pertence à pequena família das línguas fino-úgricas. Fora da Finlândia, é compreendido (e, até certo ponto, falado) somente na Estónia. Sendo uma nação com poucos parentes linguísticos próximos, os finlandeses protegem a sua língua materna, através de um elevado nível de ensino da Língua na escola.

O inglês é muito falado na Finlândia, sendo especialmente comum no mundo de negócios: algumas companhias finlandesas que funcionam a nível internacional, até o usam como principal língua de trabalho. O alemão é menos comum, embora muitos finlandeses na casa dos 50 anos de idade tivessem aprendido na escola, como a sua primeira língua estrangeira. O francês, o espanhol e o russo fazem parte do repertório linguístico, cada vez maior, dos alunos e dos estudantes adultos. O facto do país ser membro da União Europeia, com as respectivas exigências práticas e sociais, aumentou a motivação para aprender línguas europeias, pelo menos no caso dos finlandeses que efectuam viagens de negócios na Europa.

Uma raridade que poderíamos mencionar é o latim, utilizado semanalmente no noticiário Nuntii Latini, transmitido pela Companhia Finlandesa de Rádio e Televisão (a YLE). Esta emissão em latim clássico pode ser ouvida pelos entusiastas nos quatro cantos do mundo, via satélite e transmissões por ondas curtas, e é extremamente popular.

A maioria dos finlandeses com um certo nível de formação, em particular, os que ocupam cargos públicos, falam tanto finlandês como sueco. Quase todos os finlandeses de expressão sueca falam também finlandês; apenas as regiões litorais e a província autónoma de Åland são exclusivamente sueco falantes, sendo as ilhas de Åland oficialmente unilingues. O estatuto do sueco como segunda língua oficial do país, é demonstrado pelos nomes em duas línguas das instituições públicas, companhias e muitas vilas e cidades, e também pelos programas em sueco na rádio e na televisão. Os finlandeses sueco falantes têm uma própria cultura, artes e formas de vida social distintas, caracterizadas pela presença de muitas tradições de origem escandinava.

As tensões entre as línguas oficiais são raras, e não é difícil orientar-se num país, no qual antigamente se dizia que o seu povo era “capaz de se calar em duas línguas”.

Os Nomes e Títulos

Ao apresentarem-se, os finlandeses dizem o seu nome seguido pelo apelido. Caso uma mulher use tanto o seu apelido de solteira como o apelido do seu marido, di-los nesta ordem. Apesar dos finlandeses serem muito minuciosos no que diz respeito aos títulos honoríficos, académicos e profissionais que possuam, não costumam mencioná-los quando se apresentam. No entanto, em contextos oficiais e profissionais, esperam ser tratados pelo título: Doutor Virtanen, Director Geral Savolainen, etc. Contudo, os estrangeiros não têm de seguir este uso – com a excepção dos títulos académicos – e podem sempre utilizar o tratamento apropriado em qualquer língua que falem.

A forma de tratamento familiar (isto é, a segunda pessoa do singular tu em finlandês sinä, oposto à segunda pessoa do plural vos, em finlandês te, sendo esta última a mais formal) é de uso comum, não só entre amigos e conhecidos mas também com desconhecidos. Hoje em dia, é comum tratar os colegas por tu (sinä), até os superiores, pelo menos nos lugares de trabalho maiores. Usar o pronome tu (sinä) é comum, também, no âmbito dos trabalhos de serviço, se bem que as pessoas mais idosas possam, às vezes, levar a mal a familiaridade subentendida no emprego deste pronome.

Apesar do uso do pronome familiar tu (sinä) ser comum, o emprego dos pronomes requer uma relação mais próxima e mais pessoal. É relativamente fácil alcançar este grau de proximidade com os finlandeses, sobretudo se for evidente que as pessoas em questão se encontrem frequentemente no âmbito do trabalho ou do lazer. Seja como for, considera-se apropriado que o uso dos pronomes seja combinado mutuamente, de maneira explícita. Para um finlandês, a mudança explícita para o uso dos pronomes é irreversível.

Nos anos 90, houve uma certa tendência, até entre os jovens, para uma etiqueta mais formal que incluía o uso do pronome vos (te), reservando a palavra tu (sinä) para as relações com um maior grau de familiaridade. O facto de optar por uma relação mais informal tem o seu próprio encanto, se for abordado de acordo com as regras da etiqueta escandinava. O uso do pronome é sempre proposto pela pessoa mais idosa ou sénior, ao mais jovem ou, caso os dois sejam mais ou menos da mesma idade ou grau social, pela mulher ao homem. O acordo é aprovado com um aperto de mão, com contacto visual; as pessoas em causa dizem os seus pronomes, acenando com a cabeça. Fazer um brinde com aguardente, vinho ou champanhe confere um ar festivo ao momento. Negligenciar o conhecimento assim aprovado ou esquecer-se do nome da outra pessoa é considerado como um erro grosseiro.

À parte disso, no que diz respeito a memorizar os nomes, os finlandeses estão longe de ser tão exigentes como os representantes de muitas outras nacionalidades. Não é habitual chamar as pessoas pelo nome ao cumprimentá-las (indiferentemente do grau de familiaridade), ou no curso de uma conversa normal. O costume de tratar as pessoas pelo nome foi introduzido na cultura finlandesa conforme o modelo norte-americano. No entanto, mesmo que gostemos muito de ouvir os nossos nomes, os finlandeses nunca levam a mal se não forem tratados pelo nome.

No mundo dos negócios e cargos públicos, é mais fácil lembrar-se dos nomes graças aos cartões de visita, e os finlandeses que trabalham no âmbito internacional costumam ter várias versões dos seus cartões, também em inglês. Não há rituais especiais relacionados com a troca de cartões de visita na Finlândia. Para um visitante, receber um cartão de visita oferece uma oportunidade conveniente para perguntar como um nome deve ser pronunciado ou o que um título enigmático quer dizer.

Os Cumprimentos

A forma de cumprimento mais comum é o aperto de mão, que requer sempre um contacto visual entre as pessoas. A vénia é símbolo de um respeito especial, ao passo que, em circunstâncias normais, uma ligeira inclinação de cabeça é suficiente. O aperto de mão à finlandesa é breve e firme, e não inclui gestos complementares como um toque no ombro ou no braço da outra pessoa. Ao cumprimentar um casal, a mulher deve ser cumprimentada primeiro, salvo nas ocasiões formais, nas quais os anfitriões são cumprimentados primeiro por quem recebeu o convite. As crianças cumprimentam-se igualmente com um aperto de mão. O abraço como forma de cumprimento não é muito comum na Finlândia. Ao cumprimentar alguém na rua, os homens têm de levantar o chapéu; contudo, no frio do Inverno, é suficiente levar a mão até à aba do chapéu.

Os finlandeses sabem beijar tão bem como qualquer outra nação, mas não costumam dar beijos como forma de cumprimento. Beijar a mão é raro, mesmo que as mulheres o achem um gesto bonito. Amigos e conhecidos podem abraçar-se quando se encontram, e os beijinhos como forma de cumprimento não são desconhecidos, se bem que, geralmente, só se pratiquem nas cidades. Não há costumes especiais quanto ao número dos beijos; no entanto, a maioria dos finlandeses acham que beijar três ou mais vezes é exagerado. É muito raro os homens cumprimentarem-se com beijos.

As Comidas

A cozinha finlandesa é uma mistura de elementos europeus, escandinavos e russos, sendo a etiqueta de mesa claramente europeia. O pequeno-almoço pode ser bastante substancial. Almoça-se entre as 11 e as 13 horas, e a duração da hora de almoço típica é menos de uma hora. Os almoços de negócios que antigamente costumavam durar muitas horas, são hoje em dia reduzidos a 90 minutos ou duas horas. O jantar tem lugar entre as 17 e as 18 horas em casa; no caso de ir jantar fora, pode começar entre as 19 e as 20 horas. Vale a pena tomar em consideração que, ao fazer a reserva de mesa, muitos restaurantes deixam de servir comida um pouco antes de fecharem. Os concertos e espectáculos de teatro costumam ter início às 19 ou 19.30; neste caso, chega-se ao restaurante por volta das 22 horas.

A cozinha finlandesa, tanto a dos restaurantes como a caseira, inclui poucos pratos com os quais os visitantes oriundos dos países ocidentais não estejam familiarizados. A recente tomada de consciência dos valores nutricionais fez com que a comida finlandesa, tradicionalmente copiosa e rica em gordura, seja hoje em dia mais ligeira. Os melhores restaurantes podem responder a diversos regimes alimentares. Os restaurantes étnicos, cada vez mais numerosos, acrescentam o número de possibilidades. Bebe-se vinho e cerveja com a comida, mas hoje em dia, não se costumam beber bebidas alcoólicas com o almoço.

RavutNos banquetes, é o anfitrião quem decide quanto à organização dos assentos, caso seja necessário. O convidado de honra é colocado à direita da anfitriã, ou do anfitrião, caso todos os participantes sejam homens. Este lugar não é muito popular entre os finlandeses, pois o convidado de honra é suposto fazer um pequeno discurso de agradecimentos, para os anfitriões depois do jantar. Os convidados não devem começar a comer antes de que todos tenham o seu prato servido. Neste momento, o anfitrião normalmente propõe um brinde, desejando bom apetite aos seus convidados. Não é apropriado começar a beber antes deste brinde, a não ser que a comida esteja excepcionalmente atrasada.
Os finlandeses não costumam fazer discursos durante o jantar, a não ser nas ocasiões formais, caso os discursos tenham lugar entre os pratos. Durante o jantar, o anfitrião e os convidados podem brindar à saúde de alguém, simplesmente erguendo os seus copos e olhando-se nos olhos. Feito o brinde, costuma-se manter o contacto visual ao pousar o copo na mesa.

Depois de comer, costuma-se beber café com conhaque ou licor. Se for permitido fumar no local em questão, este é o momento de acender os cigarros e charutos, a não ser que seja proposto para antes pelo anfitrião. Ao levantarem-se da mesa, os convidados devem agradecer brevemente aos anfitriões, quando tiverem a oportunidade, mesmo que o seja feito “oficialmente” pelo hóspede de honra ou não.

As refeições são uma forma importante da vida social na Finlândia, tanto como noutros países. Os bons anfitriões asseguram que a comida é de boa qualidade e o jantar ocorre sem pressas. O dever dos convidados é o de entrar em conversas interessantes e divertidas, com os seus companheiros de mesa. Apesar dos finlandeses terem uma tendência para falar dos negócios até na mesa, os estrangeiros não devem hesitar em conversar sobre assuntos mais variados.

As Bebidas

Os finlandeses bebem o equivalente a um pouco mais de 9 litros de álcool puro por pessoa e por ano, uma quantidade próxima ao consumo médio europeu. Os hábitos de beber são, na sua maioria, semelhantes aos da Escandinávia e da Europa em geral. Apesar de os finlandeses terem fama de bebedores, há menos características nacionais do que se poderia imaginar.

As peculiaridades nacionais mais notáveis são o consumo relativamente elevado de bebidas alcoólicas fortes, e a respectiva tendência para beber em excesso. O consumo de cerveja e de vinho tem vindo a crescer nos últimos anos, o que resultou em formas de beber mais civilizadas. O consumo de álcool ao almoço, é menos comum no mundo dos negócios do que era, e no sector público é ainda mais raro.

Fotografia: Raija PöyhönenAs tendências relativas ao consumo de álcool variam muito segundo o grupo social e, até certo ponto, conforme a região. A influência dos hábitos centro-europeus e mediterrânicos é mais visível entre os jovens adultos da classe média urbana, e as pessoas um pouco mais idosas com boa formação. As bebidas fortes estão a ser substituídas por vinhos e os clubes de vinho são cada vez mais populares; organizam-se degustações de vinho em casa e os artigos sobre os vinhos, nos jornais, incrementam a venda dos vinhos recomendados.

A maioria dos vinhos e bebidas alcoólicas é importada pela companhia estatal chamada Alko, e estas bebidas estão à venda para os particulares exclusivamente nas lojas da Alko, à excepção das cervejas e sidras menos fortes. A Alko é um grande comprador de vinhos até a nível internacional, sendo assim capaz de armazenar uma vasta escolha de vinhos de qualidade, entre os quais se destacam os melhores do mundo. Muitos restaurantes importam os seus próprios vinhos directamente dos produtores estrangeiros.

Em casa, o vinho é normalmente reservado para as refeições de fim-de-semana, mas com as refeições organizadas para os convidados costuma-se beber vinho, tanto em casa, como no restaurante. Muitas vezes – e no caso dos finlandeses sueco falantes, quase sempre – as refeições de festa são precedidas por um schnaps, ou seja, uma dose de vodka ou de aquavita servida num copinho. O schnaps é considerado como uma parte integral dos pratos de peixe frio, e absolutamente indispensável com os lagostins de água doce. Os sueco falantes costumam animar os jantares com canções de beber cantadas antes de cada brinde. As maiores festas têm um “mestre de cerimónias”, o qual dá início às canções e determina os intervalos entre os brindes. Os finlandeses de língua finlandesa têm uma etiqueta de beber menos elaborada, mas que também contém canções de beber. Os schnaps vêm normalmente acompanhados com água mineral, ou às vezes com cerveja, a qual também é muitas vezes servida com os pratos. A cerveja bebe-se igualmente para matar a sede enorme provocada pela sauna.

O visitante pode aproximar-se dos hábitos de beber finlandeses conforme lhe parecer apropriado. Ninguém lhe exige beber o copo de vodka de uma só vez, se bem que os companheiros de mesa o façam; basta erguer o copo até aos lábios, nem é preciso beber o álcool. É perfeitamente aceitável pedir água mineral ou vinho sem álcool com a comida. De qualquer forma, o almoço é normalmente acompanhado por bebidas não-alcoólicas, e é habitual oferecê-las em todas as ocasiões. Entre os jovens, já não se considera socialmente aceitável beber em excesso, e o vinho é considerado como a “bebida dos sábios”. A abstinência é promovida pela legislação, pois a condução sob influência de álcool é severamente penalizada e a taxa de álcool no sangue permitida por lei é muito baixa.

As Gorjetas

O costume de dar gorjetas nunca ficou bem no estilo de vida finlandês. No fundo, isso dever-se-á em boa parte às tradições religiosas que acentuavam a importância da parcimónia. No entanto, hoje em dia a razão mais vulgar será simplesmente o facto do serviço já estar incluído nos preços. O costume de dar gorjetas existe, contudo, e vale a pena lembrar-se de que ninguém se opõe a receber uma gorjeta, embora sejam poucos os que esperam recebê-las.

Regra geral, o serviço está incluído nas contas do restaurante. Mesmo assim, se as contas forem pagas pela empresa dos clientes, um suplemento de serviço é muitas vezes adicionado à conta. Aqueles que pagam as suas próprias contas, à vista, podem arredondar a conta para a soma conveniente. Isto não requer nenhum tipo de capacidades de aritméticas complicadas do cliente, já que ninguém se importa em calcular se a gorjeta foi ou não realmente 10-15% da conta.

Deixar gorjetas no hotel é bastante raro. Caso tenha causado trabalho extra à arrumadeira, claro está, que seria um gesto amável deixar-lhe uma gorjeta. Os recepcionistas não esperam gorjetas, a não ser dos clientes que ficam muito tempo no hotel. Como os seus colegas nos quatro cantos do mundo, os carregadores finlandeses não se importam de receber aproximadamente o preço de uma pequena cerveja como gorjeta. Também não é mal visto deixar moedas no bar para o barman.
Os motoristas não esperam gorjetas, mas os clientes podem sempre arredondar a conta. Nos táxis, são actualmente aceites os cartões de crédito mais comuns, mas neste caso é mais prático dar a gorjeta em numerário.

Se for convidado por anfitriões finlandeses, poder-lhes-á deixar toda a decisão sobre dar gorjeta ou não.

Os Fumadores

O número de fumadores tem vindo a diminuir nos últimos anos e as atitudes em relação ao hábito de fumar, são mais negativas do que anteriormente. A actual lei proíbe o fumo, para além dos edifícios públicos e locais de trabalho, nos restaurantes, bares e cafés. Nos estabelecimentos de restauração é permitido fumar apenas em locais específicos para o efeito, onde não se pode levar comida ou bebidas e não é permitido o serviço de mesas nesses espaços. Os finlandeses, geralmente cumpridores da lei, adaptaram-se à legislação e fumam hoje em dia, apenas nos espaços reservados para fumadores. No entanto, fumar continua a ser relativamente vulgar, também entre pessoas jovens. A moda internacional trouxe consigo os charutos, um número crescente de bares e restaurantes dispõe de uma selecção de charutos, havanos em particular, e um bom charuto é considerado como um excelente ponto final num jantar fora de casa.

Espera-se que os fumadores sejam atenciosos para com os outros. Se forem convidados para casa de alguém, devem perguntar ao anfitrião se podem fumar ou não, mesmo quando existam cinzeiros à vista. Normalmente quem fuma dirige-se para uma varanda ou, em muitos prédios, para um local específico indicado nas entradas para minimizar os efeitos em relação aos vizinhos, sobretudo ao nível do odor.

As Visitas

A casa é, em grande proporção, o centro da vida social na Finlândia – em maior proporção do que noutros países, nos quais é mais comum encontrar amigos num restaurante. Isso deve-se a razões culturais mas também económicas. O interesse crescente na arte de cozinhar e nos vinhos faz com que seja mais popular passar tempo em casa com os amigos. O visitante estrangeiro não tem de se sentir incomodado por ser convidado para uma casa finlandesa, pois esperá-lo-á uma atmosfera relativamente descontraída e informal. Trazer ou mandar flores ou uma garrafa de vinho aos anfitriões é uma boa ideia.

Para quem desejar um desafio cultural maior, recomenda-se aceitar o convite para uma das incontáveis casas de Verão, à margem de um lago ou à beira-mar. Um em cada quatro finlandeses possui uma casa de Verão, e para muitos, são realmente como segundas casas. Os sociólogos acham que o facto de ter uma casa de Verão é um laço que une os finlandeses ao seu passado rural, ainda relativamente recente. De facto, muitos Finlandeses convertem-se em pescadores, jardineiros, agricultores, carpinteiros e silvicultores, surpreendentemente competentes, ao retirarem-se das cidades para as casas de Verão.

Não se exige aos convidados que participem nesta transformação, pelo menos de uma maneira activa. Por outro lado, espera-se que eles se submetam às condições de vida, normalmente primitivas, da casa de Verão. Muitas vezes não há água corrente, casa de banho nem outras comodidades modernas, e muitas famílias acham que até um televisor é incompatível com a verdadeira vida de casa de Verão. No entanto, está claro que isto não se aplica aos telemóveis, através dos quais os hóspedes podem informar os seus familiares das suas experiências no regresso à vida primitiva nas terras agrestes.

O hóspede é suposto vestir de maneira prática e informal para a visita à casa de Verão. Os anfitriões têm botas, capas de chuva e casacos corta-vento para lhes emprestarem quando faz mau tempo, ou para serem usados durante as excursões, para ir pescar ou apanhar cogumelos. Como não podia deixar de ser, nem sempre é fácil para os anfitriões (e para às anfitriãs em especial) garantir aos hóspedes um tempo agradável neste tipo de condições. Aprecia-se a ajuda dos hóspedes nos trabalhos de casa – lavar as batatas ou descascar as cebolas são tarefas que o convidado pode seguramente tomar a seu cargo.

A melhor recompensa para os anfitriões é verem o hóspede a divertir-se, faça chuva, faça sol. Seria uma boa ideia levantar a questão de voltar à cidade ao pequeno-almoço do terceiro dia, e desistir da intenção caso os anfitriões protestem firmemente.

O Tempo e as Estações do Ano

As estações do ano são um fenómeno universal, mas na Finlândia marcam o passo do tempo com uma notabilidade incrível. Estendendo-se longe, para além do Círculo Polar, a Finlândia é um país onde as temperaturas extremas e a quantidade da luz solar variam tanto, conforme as estações do ano, que não é exagerado falar de duas culturas diferentes: uma dominada pela luz do dia quase constante e temperaturas surpreendentemente elevadas no Verão, outra caracterizada pelo frio impiedoso do Inverno e a escuridão árctica que só por pouco tempo cede lugar à luz pálida do sol durante o dia.

HeinaEmbora o Verão chegue todos os anos, é algo tão importante que praticamente todo o país se encontra “fechado” para o Verão, o que incomoda muitas vezes os turistas. A estação alta das casas de Verão começa depois da festa de São João, e as pessoas que ficam nas cidades passam o seu tempo ao ar livre, nas esplanadas dos cafés e nos bares, nos parques ou nas praias, sociais e felizes da vida. A correspondência pessoal e de negócios é posta de lado temporariamente, o correio electrónico envia, durante pelo menos um mês, apenas respostas do tipo “out of office”, e entre amigos fala-se mais na pesca e na jardinagem, do que nas questões importantes da política internacional ou da economia. É fácil observar que no Verão os finlandeses ficam especialmente orgulhosos e contentes com o seu país, e gostam que os visitantes promovam estes sentimentos.

Com a chegada do Inverno, os finlandeses fecham as portas das casas de Verão, tiram os barcos da água e cobrem-nos com lona impermeabilizada, equipam os seus automóveis com pneus de Inverno, procuram o vestuário e o calçado de Inverno, põem o equipamento de golfe na cave e verificam se os esquis estão em ordem para o Inverno. No Inverno, os finlandeses são eficientes, pois existem poucas coisas para fazer ao ar livre, e é-lhes indiferente se usam ou não o tempo passado entre quatro paredes, para trabalhar. Se os antepassados rurais matavam o tempo, nos longos dias de Inverno, a fabricar e a reparar ferramentas e utensílios para o Verão, os seus descendentes modernos trabalham nas oficinas para transformarem o país numa sociedade tecnológica moderna, cada vez mais eficiente. Se bem que o turista possa admirar as ruas desertas no Inverno, pode encontrar, dentro dos edifícios iluminados, um povo trabalhador. De qualquer forma, o Inverno terminará rapidamente, e logo será tempo de verificar o estado da casa de Verão, após o longo período de neve.

LumiAs diferenças dramáticas que se podem observar entre as estações do ano fazem com que os finlandeses tenham um sentido especialmente forte, relativamente ao passar do tempo. Este sentido manifesta-se nas expectativas positivas em torno de um futuro próximo: daqui a pouco tempo o sol derrete a neve; logo chegam os aves migratórias; dentro em breve o sol já não se põe na Lapónia; brevemente amadurecem as maçãs; logo chegarão as primeiras geadas do Inverno.

Os finlandeses são relativamente pontuais, e até certo ponto, prisioneiros do tempo. Tal como acontece em qualquer país, as pessoas que têm os trabalhos mais exigentes têm de lidar com os horários mais rígidos, nos quais, as perdas de tempo podem causar angústia. Os compromissos com horas estabelecidas são de importância crucial, e chegar com mais de 15 minutos de atraso é considerado como negligência e falta de educação, até mesmo no caso dos encontros informais entre amigos. Os concertos, peças de teatro e espectáculos públicos começam sempre a tempo; atrasos nos horários de comboios e autocarros de trânsito doméstico são extremamente raros.

Regra geral, um estilo de vida activo está na moda, e uma agenda cheia de reuniões e negociações é um motivo de orgulho, mais do que uma prova de falta de capacidades de organização. Sendo assim, o tempo consagrado pelos anfitriões, para estar com os hóspedes é um dos maiores indicadores do valor dado à visita. Quando um finlandês deixa de olhar constantemente para o seu relógio e propõe um jantar ou uma cerveja, talvez até uma ida à sauna ou à casa de Verão, trata-se, com certeza, do começo de uma longa relação profissional, ou até de amizade.

A Sauna

Os representantes de um povo com 5 milhões de habitantes e 1,5 milhões de saunas não precisam de adquirir nenhuma etiqueta formal para fazer sauna – sabê-lo é tão natural como saber falar. É recomendável para os visitantes, quando fazem sauna pela primeira vez, irem acompanhados por um amigo ou conhecido finlandês, e não tentar seguir as instruções mecânicas que reduzem a sauna a uma série de regras.

Na finlândia, tanto homens como mulheres fazem sauna, mas não costumam ir juntos, a não ser com a família. Não há saunas públicas mistas. Quando os amigos decidem fazer sauna, primeiro decidem de comum acordo sobre quem vai primeiro, os homens ou as mulheres. Em geral, as mulheres querem ir primeiro, especialmente se vão preparar comida depois da sauna. Visto que os finlandeses fazem sauna com muita frequência – até várias vezes durante a semana, sobretudo se estiverem na casa de Verão – não há problema nenhum, se alguém (até um finlandês) optar por não ir à sauna. No entanto, caso hesite entre ir ou não ir à sauna, que foi preparada especialmente para si, deverá ter em conta que se trata de uma questão de orgulho para o anfitrião e, regra geral, só poderá recusá-la por motivos de saúde.

Fazer sauna é perfeitamente natural para os finlandeses, e cada um tem as suas próprias preferências – ninguém dirá a outra pessoa que está a fazer sauna incorrectamente. Isto é um bom princípio para o visitante, para que também siga o seu próprio ritmo, conforme as necessidades do seu corpo, alternando entre a sauna, o chuveiro e o ar livre, acrescentando um mergulho no mar ou no lago, caso assim o queira. Faça o que vir os outros a fazer, evitando porém, os excessos – há finlandeses que sentem uma necessidade de demonstrar a sua perseverança passando imenso tempo numa sauna escaldante. Neste tipo de situação, o visitante poderá escapar para beber algo e desfrutar das paisagens. Por outro lado, pode-se submeter a rituais desconhecidos sem prejuízos: ser açoitado vigorosamente com um molhe de ramos de bétula frondosos, no calor da sauna, é para muitos, uma experiência surpreendentemente agradável.

A sauna não é lugar para quem esteja com pressa. Depois de fazer sauna, costuma-se continuar a noite com conversa, bebidas e às vezes uma refeição ligeira. O visitante poderá comentar a sua experiência aos anfitriões, tendo em conta que, qualquer pergunta relacionada com a sauna e as suas tradições é sempre bem-vinda, já que é um assunto que os finlandeses não se cansam de falar. A sauna é um dos poucos lugares, nos quais os finlandeses se esquecem do trabalho e falam de algo diferente.

 

Imprima esta página

Sítios relacionados

actualizados 24-11-2010


© Embaixada da Finlândia, Lisboa | Informações sobre o serviço on-line | Contacto