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Notícias, 07-09-2017

Olhar luso sobre a Finlândia - Cátia Bruno

Naquela manhã, quando cheguei à mesa do pequeno-almoço, recebi a notícia de chofre: “Não devias ter ido dormir tão cedo ontem, perdeste a aurora boreal!” Não queria acreditar no que estava a ouvir. “Bem, hoje talvez a consigamos ver outra vez, não?”, respondi, escondendo um ligeiro tom de alarme na voz e tentando convencer-me mais a mim mesma do que aos outros jovens de todo o mundo, participantes do Programa de Correspondentes Estrangeiros na Finlândia como eu. Estava errada, claro. Nessa noite ninguém viu a aurora boreal.

Em Rovaniemi, só os resistentes que decidiram ficar sentados na relva até se fazer tarde na primeira noite, a sentir a brisa de agosto (que um português não hesitaria em definir como vento gélido), tiveram oportunidade de ver as famosas luzes. No dia seguinte, sentados com os ovos mexidos à arrefecer à sua frente, contavam a experiência em êxtase. Nessa noite, determinada a compensar-me, sentei-me a olhar para o céu azul escuro, cheia de expectativa, como se estivesse sentada na primeira fila do cinema. Esperei, esperei e nada. Niente. Ou melhor dizendo... ei mitään? Um mês na Finlândia não me habilitou a dizer nada em finlandês para além de ‘obrigada’, ‘bom dia’ e aprender a fazer um brinde. Uma lástima.

Foto: Cátia Bruno.
Participantes no programa Foreign Correspondents' Programme em 2013 no Circulo Polar Árctico (Cátia Bruno segunda à dierita).
Participantes no programa Foreign Correspondents' Programme em 2013 no Circulo Polar Árctico (Cátia Bruno segunda à dierita).

Um mês na Finlândia habilitou-me, isso sim, para estar aberta e disponível a compreender uma forma de vida completamente diferente da minha. Tive a sorte de estar inserida num grupo fantástico, de poder conhecer pessoas de áreas completamente variadas da sociedade finlandesa e de ir muito além dos limites de Helsínquia. Mais do que isso, passei por todas as experiências tipicamente finlandesas que podem chocar e maravilhar um estrangeiro. Dar festinhas numa rena? Check. Fazer sauna completa, chicoteando-me com pequenos ramos de vasta e acabando num lago de temperaturas pouco recomendáveis? Check. Provar amoras árticas? Check. Exasperar-me com os olhares gélidos porque cheguei dois minutos atrasada? Check. Agradecer a todos os deuses por esse mesmo respeito pelas regras quando guardaram o meu cartão de crédito numa loja onde me esqueci dele? Check.

Durante um mês, tive oportunidade de ver de perto com tudo o que uma cultura diferente da minha tem de bom e de mau. E se em alguns momentos estranhei a falta de contacto físico a que estou tão habituada, noutros apreciei muito o silêncio à mesa. Estando dentro de um grupo com pessoas de todos os continentes, pude refletir sobre as diferenças culturais e como elas nos moldam a vida. Dentro da minha própria cabeça, debati os conceitos de cultura, integração, diversidade, respeito pelas regras, inflexibilidade, corrupção, eficiência, público, privado, como nunca tinha feito como estudante ou como jornalista. Regressei como uma profissional melhor, mas também como uma pessoa melhor - mais tolerante com o mundo em geral, mais crítica em momentos particulares.

Quando o avião levantou voo em Rovaniemi, a caminho de Helsínquia, sabia que era tempo de despedidas e que em breve regressaria ao meu país. Olhei pela janela e vi finalmente os lagos e florestas de que tanto me tinham falado e que eu ainda não tinha tido oportunidade de ver. Não me desiludi, era tão bonito como me diziam. “Será que a aurora boreal também é tão bonita como me disseram?”, interroguei-me. Mas desta vez não me afligi. Sei que um dia ainda vou poder tirar essa dúvida a limpo.

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actualizados 07-09-2017


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