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Notícias, 22-12-2017

Olhar Luso sobre Finlândia - Frederico Duarte

Em 2012 Helsínquia foi a Capital Mundial do Design. A convite da Embaixada da Finlândia em Portugal, nesse Verão visitei a capital finlandesa enquanto jornalista e crítico de design independente. A minha visita teve o objectivo de descobrir como este título, atribuído de dois em dois anos desde 2008 pelo Conselho Internacional de Sociedades de Design Industrial (ICSID) estava então a ser interpretado e vivido. No longo artigo para o Fugas, o suplemento de viagens do jornal Público, escrevi a certa altura que “Os ministérios do Emprego e Economia e da Educação e Cultura, a Universidade de Helsínquia e a Universidade Aalto e os mais de 20 parceiros empresariais que perfazem os 50 milhões de euros de investimento financeiro no programa levam à conclusão de que quando os finlandeses falam de design, não andam a brincar às capitais.” Ainda hoje, cinco anos depois, penso o mesmo.

Fotografia: Frederico Duarte
Pavilhão do Helsinki Design 2012.
Pavilhão do Helsinki Design 2012.

Essa visita permitiu-me durante alguns dias em Helsínquia explorar a cidade e conversar com designers e outros profissionais nela residentes, finlandeses e estrangeiros, incluindo um português. E também passar por outras cidades, como Jyväskylä e Lahti – onde tive a oportunidade de assistir ao prestigioso Simpósio Internacional de Arquitectura Alvar Aalto – e ainda Turku e Utö, a ilha mais remota e mais a sul da Finlândia. Durante toda a minha estada pude comprovar que efectivamente o design é uma parte integrante da vida dos finlandeses.

Uma leitura mais superficial desta frase poderia ligar esta presença do design ao mobiliário ou a acessórios de decoração como objectos em vidro ou em cerâmica, ou seja, aquilo que em geral é associado ao design e até aquilo que tem vindo a dar fama ao design finlandês, sobretudo na segunda metade do século XX. Porém o meu interesse nesta actividade tem em conta a sua contemporânea complexidade e natureza multidisciplinar. Daí que quando falo de como o design está presente no dia-a-dia da Finlândia do século XXI falo da qualidade do projecto dos seus edifícios públicos, como algumas novas escolas que visitei, bem como a mais recente sauna construída em Helsínquia, cujos arquitectos conheci e entrevistei. Ou os jogos para telemóvel e outras dimensões da nossa vida digital pensadas em empresas finlandesas e usufruídas em todo o mundo. Mas falo sobretudo de como o design, ou o projecto, está presente em políticas públicas e tomadas de decisão que colocam o cidadão – e não, como em tantas outras latitudes, o autor do projecto, incluindo o autor projecto de lei – no pensar e repensar de aspectos da vida quotidiana como a sinalização dos transportes públicos ou a legislação sobre restauração. Ou na criação de soluções alimentares para intolerantes à lactose e ao glúten, nas quais a Finlândia é um líder global; uma dimensão de food design que inclui a pesquisa e desenvolvimento de ingredientes e processos de fabrico mas também o desenho de embalagens inclusivas expostas nas prateleiras de qualquer supermercado. É essa presença discreta mas constante do design, que tanto me interessa, que pude observar a apreciar na Finlândia como em poucos outros países.

Em Junho de 2017 Anne Stenros deu uma entrevista onde reflectiu sobre o seu primeiro ano enquanto Chief Design Officer, ou Directora de Design de Helsínquia – um cargo criado na sequência da Helsínquia Capital Mundial do Design que reflecte também a forma como o design é levado a sério pelos finlandeses. Sendo a primeira pessoa a desempenhar este cargo na primeira cidade a criá-lo, Stenros tem reunido muita atenção a nível global sobre os seus objectivos e conquistas. Nesta entrevista, quando lhe perguntaram como é que o design pode melhorar o planeamento de serviços do sector público, ela respondeu que “o design thinking [o pensamento em design] pode garantir uma melhor experiência cidadã num sentido mais amplo. E também pode proporcionar uma perspectiva futura pois os designers tendem a olhar para o que vem a seguir, estão sempre focados em como enfrentar desafios futuros.” No ano em que a Finlândia celebra um século enquanto nação independente não poderia pensar numa melhor forma para descrever como o projecto do seu povo de uma vida em comum foi, é e continuará certamente a ser um extraordinário exemplo e inspiração para todos nós.

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actualizados 22-12-2017


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