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Música Folclórica, Jazz e Rock na Finlândia

Escrito para  Virtual Finland (actual thisisFINLAND)  por Jutta Jaakkola, Directora de Música Popular, Centro de Informação da Música Finlandesa. Tradução: Pekka Posio (2003), Mari Luomi e Renato Rigueiro (versão 2004). Actualizações em 2009.

A Música Folclórica

À esquerda: UMO Jazz Orchestra (Fotografia: UMO) À direita: Nightwish (Fotografia: Spinefarm Records)À esquerda: UMO Jazz Orchestra (Fotografia: UMO) À direita: Nightwish (Fotografia: Spinefarm Records)

A nova música folclórica finlandesa alcançou um sucesso, jamais visto nos princípios dos anos 90. Quebrou as barreiras tradicionais, em matéria de público e chegou a ter acesso ao mercado internacional. Como não podia deixar de ser, há várias razões claras para tal êxito.

O primeiro “boom” da música folclórica teve lugar nos anos 70, quando Konsta Jylhä, músico folclórico da localidade de Kaustinen, e o seu grupo Purppuripelimannit alcançaram grande popularidade. Os Finlandeses adoravam as suas melodias fortes e bonitas, compravam tantos discos e acompanhavam as suas tournées de Jylhä, que ele recebeu vários discos de ouro. Konsta Jylhä não só tocava melodias tradicionais, como também era um compositor inovador da nova música folclórica.

O município de Kaustinen, situado no meio de uma zona de vivas tradições, é importante para a música Finlandesa, também por outras razões. É ali que se celebra, desde o ano 1968, o Festival da Música Folclórica de Kaustinen, que é hoje em dia, o maior festival deste tipo nos Países Nórdicos. O festival de Kaustinen permite aos amantes da música folclórica desfrutar de grupos de música e de dança oriundos dos quatro cantos do mundo, ao passo que, introduz novas ideias e influências aos músicos locais. O estatuto essencial de Kaustinen é ainda reforçado pela presença do Instituto da Música Folclórica, fundado em 1974. Este instituto desempenha um papel importante em diversas formas de pesquisa e de publicação. Todos os anos, para além do festival de Kaustinen, são organizados muitos outros festivais interessantes de música folclórica na Finlândia.

Nos anos 80, o mais importante acontecimento em relação à música folclórica foi a fundação do  Departamento da Música Folclórica da Academia “Sibelius”. Nos últimos anos, este departamento tem formado um novo tipo de profissionais da música folclórica: artistas versáteis que têm, no seu próprio trabalho, produzido novas combinações de tradições nacionais e influências internacionais.

Värttinä, o gropo folclórico. Fotografia: Tuomo ManninenAté agora, os grupos mais conhecidos que saíram do Departamento foram Värttinä, grupo este que alcançou grande renome internacional graças aos seus numerosos discos de elevada qualidade musical. Entre outros grupos folclóricos destacam-se a virtuosa acordeonista, Maria Kalaniemi com o seu grupo Aldargaz, JPP que continua a tradição de música de violão de Kaustinen, e os Gjallarhorn, cuja música se baseia na herança dos finlandeses sueco-falantes e na música medieval. Um dos artistas finlandeses mais procurados internacionalmente, Kimmo Pohjonen, é também conhecido como, "O Jimi Hendrix do acordeão". A sua maneira sem fronteiras de combinar a expressão tradicional do instrumento com improviso e as novas tecnologias, completado por um equipamento de efeitos especiais tem conquistado os corações de fãs, tanto de música folclórica, como de jazz ou de rock..

Kimmo Pohjonen. Fotografia: Ilpo MustoPala além destes grupos, merecem uma menção especial os artistas Sami que desenvolveram a tradição de canto da sua terra natal, a Lapónia, de uma forma criativa. Este canto tradicional é conhecido na Finlândia pelo nome de “joiku”. Depois do sucesso do pioneiro Nils-Aslak Valkeapää, (1943-2001) entre os artistas Sami da nova geração destacam-se Wimme e Angelit, (previamente conhecidas como Angelin tytöt, ou seja, Raparigas de Angeli). Ambos criaram uma forma própria de combinar a nova tecnologia e influências de outros géneros musicais com a tradição Sami muito antiga.

O Jazz

O jazz finlandês celebrou os seus 75 anos em 2001, pois reza a lenda que o jazz foi introduzido na Finlândia por músicos americano-finlandeses do M/S Andania, que ancorou no porto de Helsínquia em 1926. Depois desta data, o jazz finlandês desenvolveu-se muito, até chegar a ser o género de música realmente internacional que é hoje em dia.

A primeira geração de músicos profissionais que se dedicaram exclusivamente ao jazz, não se formou até aos anos 60. Entre os músicos que começaram a sua carreira naquela época destacam-se o saxofonista Eero Koivistoinen, o multi-instrumentalista Seppo “Paroni” Paakkunainen, o pianista Heikki Sarmanto e o percussionista Edward Vasala (falecido em Dezembro 1999), que são uns dos mais bem conhecidos a nível internacional e que têm renome como compositores e como maestros.

Trio Töykeät. Fotografia: EMI Finland / Tanja AholaA principal razão para a elevação do nível do jazz finlandês é o sistema de formação musical. Em 1972 foi fundado o Oulunkylä Pop/Jazz College, em Helsínquia, para formar músicos profissionais e professores, com especialização nos estilos de música afro-americanos. Em 1986, o Oulunkylä obteve o estatuto de conservatório, e desde que mudou para as suas novas instalações, em 1995, é conhecido simplesmente, como Pop/Jazz Conservatory. O mais alto nível de ensino de jazz é garantido pelo Departamento de Jazz da Academia “Sibelius”, fundada no início dos anos 80. Tanto a Academia como o Conservatório convidam frequentemente artistas estrangeiros de primeira linha a ensinar nos seus ateliers.

Jarmo Savolainen. Fotografia: © MIC/LähteenmäkiNo entanto, muitos músicos de jazz finlandeses dizem que a sua verdadeira “universidade” é a UMO Jazz Orchestra, fundada em 1975. É a única “big band” profissional na Finlândia, elogiada por críticos internacionais. A UMO acompanhou, entre outros, Natalie Cole durante a sua tournée à Europa, em 1994, e no Verão 1996, como também fez uma tournée à Europa com os Manhattan Transfer.

Um outro herdeiro notável do jazz finlandês foi Edward Vesala, com o seu grupo Sound & Fury que desenvolveu um idioma musical próprio. Entre músicos e “ensembles”, mais próximos ao mainstream jazz, destacam-se: o Trio Töykeät, o pianista Jarmo Savolainen (1961-2009), o clarinetista Antti Sarpila, o percussionista Klaus Suonsaari e o compositor Jukka Linkola. RinneRadio, The Poppoo, Pekka Pohjola (1952-2008) e XL são nomes importantes, no que diz respeito à arte de combinar diferentes géneros musicais.

U-street All Stars. Fotografia: EMI Finland / Riitta SouranderO jazz finlandês continua muito vivo e em evolução, e a geração mais nova está a desenvolver-se de uma forma esplêndida graças à originalidade de alguns artistas. O pianista-compositor Samuli Mikkonen que retrata a melancolia finlandesa de uma forma inovadora, o grupo U-street All Stars que já foi premiado internacionalmente, o pianista Kari Ikonen e o saxofonista Mikko Innanen são apenas alguns dentro de um vasto grupo de artistas fortes e criativos.

Pelo menos uma dúzia de festivais de jazz são organizados na Finlândia todos os anos, sendo que o maior e mais prestigiante é o festival Pori Jazz, organizado pela primeira vez já em 1966. Outros eventos musicais dignos de referência são: o Imatra Big Band festival e o Tampere Jazz Happening que se concentra em jazz moderno contemporâneo.

O Rock

HIM. Fotografia: © Jouko Lehtola/Flaming Star KyA característica mais distintiva do rock finlandês é a combinação de elementos da música afro-americana e da música popular finlandesa. Apesar de ser muito popular na Finlândia, esta forma de música sendo cantada em finlandês é de difícil acesso para os estrangeiros. A Finlândia consta como um dos países com muitos grupos de rock, que poderiam interessar o mercado internacional, mas na sua maioria, ficam relativamente marginalizados.

Nos últimos anos, os esforços persistentes têm finalmente atingido resultados na forma do sucesso internacional da música popular finlandesa. De facto, hoje podemos afirmar que a música popular finlandesa está melhor do que nunca. No início do milénio, as bandas finlandesas alcançaram as primeiras entradas significativas nas listas "pop", na Europa Central e no Reino Unido. No entanto, o sucesso dos HIM, (love metal), Darude (dance techno) e  Bomfunk MC’

The Rasmus. Fotografia: © Sony Music Entertainm.MCs foi apenas o começo, e desde então o cenário europeu tem sido invadido pelo pop melódico dos The Rasmus, como também pelo heavy rock e metal rock finlandês, intrepretados pelos Children of Bodom, Nightwish e o grupo de rock gótico, The 69Eyes, para destacar apenas alguns.

As gotinhas da diversidade, no campo do rock e pop finlandês têm convergido, para formar uma corrente que favorece a criação de música de todos os tipos. Nem o profissionalismo crescente, nem a competição cada vez mais dura têm conseguido suprimir a melhor vantagem da música popular finlandesa: "...experimentar sem preconceitos e com um elevado sentido de humor." Os músicos finladeses nunca hesitam participar em projectos, que à primeira vista parecem um pouco estranhos. Leningrad Cowboys, o conjunto de heavy metal com violoncelos denominado por, Apocalyptica, e Mieskuoro Huutajat – um coro masculino cujo repertório inteiro consiste em gritar – só podiam ter surgido na Finlândia. Em que outro país, o campeonato mundial da guitarra no ar (Air Guitar World Championships) faria tanto sucesso e seria um evento tão mediático?

Bomfunk MCs - Fotografia: © Sony Music Entertainm. (Finl.)OyUm passado recente tem vindo a provar também que, no campo musical ainda há espaço para várias tendências. O sucesso recente ("boom") de hip-hop, estimulado pelos Redrama, Paleface e o Don Johnson Big Band não fez com que os fãs, ou os músicos abandonassem o "guitar rock", ou o " heavy metal" finlandês.

Música eléctrica – dance, electrónica, techno – têm-se tornado num grande fenómeno internacional dos últimos anos; entre os maiores artistas finlandeses deste género estão, Jori Hulkkonen, Pepe DeLuxé e, obviamente, JS16 a.k.a. Jaakko Salovaara, o productor guru por detrás de Darude e Bomfunk MCs.

Na Finlândia organizam-se diversos festivais de rock, dos quais destacamos os mais conhecidos: Provinssirock, Ruisrock, Ilosaarirock, o Tuska festival com uma orientação metálica, e o Koneisto festival, que apenas em poucos anos se tornou num encontro de música electrónica com apreço internacional. O país acaba por caracterizar-se como uma cornucópia de festivais.

Publicado em Janeiro 2004

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actualizados 08-07-2009


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