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ALVAR AALTO

Designer, arquitecto

  • Alvar AaltoNasceu em Kuortane em 3 de Fevereiro de 1898 e faleceu em 11 de Maio de 1976.
  • O mestre da arquitectura moderna.
  • Formado em arquitecto pelo Instituto de Tecnologia de Helsínquia (1921).
  • As obras mais famosas de design: as cadeiras "Paimio" e "Nº65" e o jarro "Aalto-maljakko".

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Objecto de desejo 100%

O artigo de Luís Royal publicado na revista Independente em 27 de Janeiro de 2006.

Paimio Chair (1932)

É hoje indiscutível o sentido iconográfico de muitas das criações de design do mundialmente conhecido Alvar Aalto (1898-1976), e a forma sistematizada com que trouxe para o panorama internacional os equipamentos que completam as suas criações arquitectónicas.

Paimio Chair, 1932 até hoje Materiais: madeira de bétula, natural e lacada. Dimensões: 65,5 x 60,5 x 82,5 cm.Paimio Chair, 1932 até hoje Materiais: madeira de bétula, natural e lacada. Dimensões: 65,5 x 60,5 x 82,5 cm.

Enquanto que no resto da Europa os criadores modernistas se empenhavam em ditar linguagens para uma nova civilização moderna, Alvar Aalto assumia a arquitectura com um papel de responsabilidade social e missão pública, também influenciado pela nova independência conseguida pelo seu país de origem – a Finlândia –, e que pretendia determinar objectivos para responder às necessidades urgentes em programas arquitectónicos de utilidade pública. O Sanatório de Paimio (1929-33) é uma dessas respostas. O edifício que se tornou no exemplo máximo do trabalho de Aalto e num dos mais estudados exemplos das criações modernistas do início do século XX, era uma necessidade urgente para albergar a vaga crescente de doentes de tuberculose que se desenvolve no espaço entre as duas guerras. Preocupações funcionais foram as motivações maiores do arquitecto, que se desdobra em soluções para responder às necessidades dos tratamentos, sem nunca recorrer a exercícios puramente de estilo mas não esquecendo alguns princípios ditados pelos pensadores vanguardistas da Europa Continental.

A facilidade com que trabalha as questões geométricas permite-lhe variações formais que dão um carácter orgânico ao programa do edifício, respondendo mais uma vez sobretudo à sua função, diferenciando assim Alvar Aalto das restantes propostas modernistas europeias.

Também a acreditar na função e carácter humano dos equipamentos que acreditava fazerem parte do conjunto da obra pensada, desenvolveu uma linha de mobiliário e iluminação que se tornariam numa das suas imagens mais mediatizadas. Ao acreditar que as respostas em estruturas tubulares metálicas, tão em voga por designers modernistas como Marcel Breuer, Le Corbusier ou Mies van der Rohe, não preenchiam necessidades humanas que o mobiliário hospitalar deveria cumprir, decide-se a aplicar as experiências que havia levado a cabo no trabalho inovador com madeira, conjuntamente com a então sua mulher, Aino Aalto (1894-1949), e o marceneiro Otto Korhonen. O que no início pareciam experiências infundadas mas desafios no novo trabalho do material tornou-se num laboratório de respostas para as propostas que viria a fazer para preencherem espaços e necessidades do sanatório.

Cadeira 65, 1933-35 Esta é um dos exemplares que segue a aplicação da patente das pernas em "L", misturando tecnologias do trabalho da madeira maciça e contraplacado.Cadeira 65, 1933-35 Esta é um dos exemplares que segue a aplicação da patente das pernas em "L", misturando tecnologias do trabalho da madeira maciça e contraplacado.

A maneira arquitectónica como encarava cada perna de uma cadeira, tornou-se num feito quando sistematizam formas de curvar madeira maciça no seguimento dos desenvolvimentos feitos por Michael Thonet, sobretudo na grande patente das pernas em "L", onde a terminação de uma barra maciça é transformada por cortes na direcção dos feixes em lâminas paralelas e encurvada através de calor, vapor e colas, à maneira do que já se fazia com o contraplacado. Assim desenvolve um sistema simplificado de assemblagem das pernas das cadeiras aos tampos destas, assumindo as barras maciças como estrutura, à maneira das propostas em tubo metálico. A madeira maciça cria uma armação onde as placas de contraplacado, moldado ou liso, assentam para compor o conjunto harmónico e utilitário.

Esta é sem dúvida uma nova maneira de trabalhar a madeira, tal como outros modernistas trabalharam noutros materiais até então insólitos, e um sentido de evolução com uma consciência da adição de novas capacidades ao material, onde a mais notável é o sentido elástico que a estrutura onde as placas assentam permite ao sentar, mas também a nova linguagem que é uma revolução no panorama do trabalho tradicionalista escandinavo e uma linguagem que se tornaria sinónimo de Alvar Aalto.

Carro de Chá, 1935-36.Carro de Chá, 1935-36 No seguimento da linguagem do mobiliário de Alvar Aalto, várias criações foram surgindo, dando continuidade a uma linha de autor. O carro de chá contempla a aplicação de materiais sintéticos conjuntamente com a madeira e o contraplacado de madeira.

Estas experiências, donde resulta o exemplar mais emblemático e que assume o nome do projecto de Paimio, tornaram-se amplamente aceites e fomentaram o que na altura foi chamado pelos pioneiros de "centro de artes industriais" Artek. Hoje um editor e marca altamente reconhecida pela alta qualidade e fiabilidade das suas edições, nasceu como um projecto pioneiro após responder às necessidades do programa do sanatório, onde se pretendia um "modernismo humano", tendo a madeira como elo de ligação telúrica a um bem-estar natural. Editam mobiliário, iluminação e têxteis, sendo na sua maioria projectos de Alvar e Aino Aalto, e têm estreitas ligações com a Alvar Aalto Foundation, reconhecendo-se-lhes as edições originais das criações do arquitecto finlandês.

"Aalto-maljakko" fué exibido pela primera vez no Expo de Paris em 1937."Aalto-maljakko", 1936 Calções de Pele da Mulher Esquimó (pseudómino) - A resposta de Alvar Aalto a um concurso para a criação de propostas totalmente inovadoras em vidro valeu-lhe a projecção com uma linha editada pela manufactura finlandesa Iittala, que se tornou num dos mais destacados símbolos contemporâneos da criação em vidro. O vaso "Aalto-maljakko" fué exibido pela primera vez no Expo de Paris em 1937.

Depois de se formar como arquitecto (1921) pelo Instituto de Tecnologia de Helsínquia, Alvar Aalto tem ainda dois "ateliers" em localidades menos urbanas, prolongando a sua ligação à ruralidade que marcou o seu crescimento. Mas depois de vencer o concurso para a comissão do Sanatório de Paimio e do sucesso obtido com esta obra, instala o seu "atelier" em Helsínquia, de onde começariam a vir várias comissões, sobretudo para obras públicas que marcariam a imagem do arquitecto e da Finlândia no panorama da arquitectura e do design no mundo.

As suas ideias são uma síntese dos ecos modernistas do resto da Europa e de uma visão funcionalista da arquitectura como missão pública, recusando peremptoriamente qualquer influência assumida ou qualquer abordagem com o estilo como intuito. Mas é esta ligação das linguagens modernas com a tradição finlandesa e a envolvente natural – que sempre preferiu à urbana, onde aplica novos e tradicionais materiais, em novas variações e sistemas "standard" – que lhe dá uma destaque inovador, sempre com o intuito de integrar o Homem como parte da natureza.

Ninho de Abelhas, 1953-53.Ninho de Abelhas, 1953-53 A influência dos aprofundados estudos de Poul Hennigsen para os sistemas de iluminação é notória em muitas das propostas de iluminação de Alvar Aalto e seus contemporâneos escandinavos. Mesmo preferindo controlar a luz natural, desenvolveu criações que se pudessem autonomizar como elementos pontuais no espaço quando fora de funcionamento.

A partir do final da Segunda Guerra, o protagonismo de Aalto é assumidamente internacional desenvolvendo projectos em todo o mundo e assumindo papéis de destaque em organizações que catalisaram muitos dos desenvolvimentos da arquitectura do século XX.

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actualizados 07-07-2009


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